quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Os adoradores dos bandidos de estimação ficam eufóricos quando imaginam que todo brasileiro é ladrão


REYNALDO ROCHA / Reynaldo-BH
“O homem infeliz procura consolo mesclando e misturando as suas penas com as penas de outro.” (Milan Kundera).
Chega a ser surreal a incontida alegria de petralhas, milicianos e militontos com o caso da Siemens envolvendo o governo de São Paulo, objeto de reportagem da Folha de S. Paulo.
Lembra-me o pedófilo que, levado à delegacia por estuprar uma criança de 5 anos, lá descobre outro que estuprou uma de 10. Extasiado, grita: “Somos iguais! Não estou só!”
Não vou analisar os fatos da Siemens, que me parecem dignos de credibilidade, mas a euforia incontida dos ladrões de outra gangue.
Eles, os militontos petralhas, não mostraram a mesma satisfação com a CONDENAÇÂO ─ e não investigação inicial ─ que colocou na cadeia José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha et caterva. Não ficaram tão contentes com as provas irrefutáveis contra Lula sobre o uso de NOSSO dinheiro para bancar a amante Rosemary Noronha! Nem se espantaram quando a OI Telecomunicações pagou R$ 5 milhões ao Lulinha para tornar-se sócia minoritária de uma empresa sem clientes, inovação, produto ou passado.
Não vi enxurradas de posts no Facebook e outras redes quando se descobriu que Antonio Palocci era proprietário do apartamento de R$ 6 milhões onde morava e de outro, calculado em R% 11 milhões. que nem estava à venda ou alugado. Fechado, servia de “reserva técnica”, com uma taxa de condomínio mensal de R$ 4,8 mil.
Fernando Pimentel ganhou R$ 2 milhões para dar consultoria a uma fábrica de tubaína no interior de Pernambuco que foi à falência sem que o conselheiro desse as caras por lá.
São apenas alguns dos incontáveis exemplos.
Estamos em algum campeonato nacional de ladroagem?
Não tenho bandido de estimação. Não obedeço à ordem unida de nenhuma quadrilha. Se morasse num morro deste país abandonado, não protegeria marginais, como acontece tristemente em nossas favelas. Não cultuo marginais. E não preciso de mais ninguém que queira entender isto comigo! Sinto que somos muitos.
A histeria incontrolável dos seguidores de bandido é tão cega que não conseguem, mesmo tateando, entender que o recado é: ¨”VIU? Não são só os nossos que são ladrões! Os SEUS também!”
Erraram, idiotas! Não temos os “nossos”. E vocês demonstram que TAMBÉM não os têm: VOCÊS é que são deles! Assumidamente, declaradamente, sem vergonha e sem medo.
Não sei desenhar! Se algum dos opositores (integrantes dessa oposição quase oficial sem coragem que não diz a que veio) for preso por corrupção, ficarei FELIZ! Tanto como fiquei com a condenação de José  Dirceu e ficarei mais ainda quando cruzar o portão de entrada do presídio.
Lugar de BANDIDO é na cadeia! Simples assim. Se for do PCC, Amigo dos Amigos, Comando Vermelho ou qualquer outra associação, que cumpram PENA na mesma pocilga!
Sei que os adoradores do Escadinha (do Comando Vermelho) vibram quando um outro (como o Beira-Mar do AMA) é preso! Soltam foguetes!
Hoje escuto os rojões da petralhada que perdeu a vergonha, a decência, o rumo e o senso de ridículo! (Não há UMA análise sobre O QUE FOI FEITO! Com repúdio e exigência de punição! Basta imaginar QUEM fez!
O ladrão A será absolvido porque descobriram o ladrão B? Celebrem, lulopetistas adoradores da Era de Mediocridade e incentivadores da apologia da ignorância, da mentira e da desfaçatez.
Mas tentem entender, no meio da bacanal que promovem, que alguém roubou vocês! E a nós! Que tal exigir que sejam punidos?
É absurda a festa pela suposta equalização de bandidos. Que riem juntos do uso que fazem dos OTÁRIOS!
Me incluam fora disto. É só o que eu exijo!
“A desonestidade só se consola com a desonestidade dos outros.” Henri Montherlant 

Âncora do SBT dá uma aula em cadeia nacional para o Senador que não sabe o que é ética


"De fato, a ética de um bandido não é a mesma de um cidadão de bem." — Rachel Sheherazade

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Palavra ‘ética’ é retirada de novo código de conduta dos senadores

Compromisso seria assumido no ato de juramento da posse, mas foi rejeitado pelo relator Lobão Filho


Andreza Matais - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Com hábitos e costumes criticados pelas manifestações populares recentes, o Senado discretamente decidiu retirar da proposta do novo regimento interno da Casa a sugestão para que os senadores sejam obrigados a se comprometer a agir com ética "na atividade política" e como cidadãos. O compromisso seria assumido em juramento no ato da posse, mas foi rejeitada pelo relator das mudanças no regimento, senador Lobão Filho (PMDB-MA).
Veja também:
O senador também excluiu do documento a obrigação para que os parlamentares apresentem, quando empossados, declaração de bens de seus parentes até o segundo grau. A medida evitava os chamados "parentes laranjas" de parlamentares que transferem a nome de familiares parte de seu patrimônio. "Não há como o senador obrigar seus parentes a revelarem os bens que possuem, pois ofenderia o direito à privacidade desses", justificou Lobão Filho.
O Regimento Interno do Senado é de 1970, auge da ditadura militar. Desde então, nunca foi reformado. O texto disciplina desde a atuação dos senadores aos pronunciamentos e tramitação de matérias.
Em 2009, o então senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) relatou a primeira tentativa de alterar as regras da Casa. O relatório do tucano acatou a sugestão do então senador José Nery (PSOL-PA) para incluir no texto do juramento da posse o compromisso dos senadores com a ética. O texto atual diz apenas: "Prometo (...) desempenhar fiel e lealmente o mandato de senador".
Na proposta de Jereissati, o juramento incluía o compromisso de desempenhar o mandato de forma "honesta" e "sempre na defesa intransigente da ética na atividade política e como cidadão". O tucano, contudo, deixou o Senado sem que o relatório fosse votado.
Como novo relator, Lobão Filho suprimiu a versão que incluía o compromisso com a ética do juramento. No parecer, apresentado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em maio, o senador disse que a sugestão de mudança no juramento merecia ser acatada "parcialmente" para incluir "a expressão honesta", mas não justificou a razão de rejeitar o trecho.
Decoro. Lobão também não acatou emenda que obrigaria a comunicação à Corregedoria de atos incompatíveis com o decoro ou com a compostura pessoal praticados fora das dependências da Casa Legislativa. O atual texto do regimento prevê que a denúncia seja encaminhada quando a quebra de decoro ocorrer dentro do prédio do Senado, o que foi mantido.
Entre as emendas acatadas pelo senador, está a que impede o pagamento de salário aos congressistas que "não compareceram à sessão em virtude de prisão processual criminal".
O texto está pronto para votação na CCJ. O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PB), é do mesmo partido de Lobão Filho - indicado pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), quando líder. Se aprovado na CCJ, o texto segue para uma comissão temporária especial, mas há possibilidade de ir direto para o plenário.

Comentário deste blog: Atentos aos apelos das ruas, parlamentares já não precisam mais prestar compromisso ético, nem declarar bens de "parentes laranjas". Liberou geral!

Cego em tiroteio


Rodrigo Constantino para O Globo

Nunca antes na história deste país se viu tantas medidas de governo serem desfeitas em tão pouco tempo. O governo Dilma está perdido, sem rumo, sem saber como reagir ao desabamento de sua popularidade, ao risco inflacionário, ao pífio crescimento. Falta um plano de voo, um mapa correto do território. E falta, naturalmente, conhecimento básico de economia.

O principal problema, creio eu, está na visão equivocada que a presidente e sua equipe têm acerca do funcionamento da economia. Eles são reféns de uma ideologia desenvolvimentista que simplesmente não funciona. Eles erram o diagnóstico dos males que assolam o país, não tendo como acertar na receita. Ficam, assim, ao sabor do vento, do marqueteiro, tateando no escuro, tratando o país como um rato de laboratório.

E qual seria essa visão equivocada? Em resumo, é a crença arrogante de que o governo pode, de cima, controlar os dados econômicos nos mínimos detalhes. Esse tipo de mentalidade denota incrível soberba, pois nem o mais sábio dos sábios seria capaz de substituir milhões de agentes autônomos tomando decisões independentes no livre mercado.

Prêmio Nobel de Economia, o austríaco Hayek mostrou como as informações relevantes para as tomadas de decisão estão dispersas. Cada um, exercendo seu poder de escolha em sua determinada área, acaba levando uma minúscula parcela de informação que irá influenciar os demais. E o mecanismo de transmissão dessa informação toda são os preços.

Mas o governo Dilma desconfia do mercado, desdenha desse poderoso mecanismo “caótico”, sem um controlador no leme, direcionando cada parte importante do todo. Por isso ele pensa ser viável controlar esses preços, com base em decretos estatais. Por isso tanta intervenção na taxa de juros e de câmbio, no preço da energia, no retorno das concessões.

Nada disso é novo, naturalmente. A União Soviética contava com um órgão, a Gosplan, cuja missão hercúlea — e impossível — era justamente administrar milhares de preços da economia. O resultado, como sabemos, foi o lançamento do Sputinik, enquanto faltava papel higiênico para a população. Fantástico!

Essa “arrogância fatal”, para usar expressão cunhada por Hayek, está no cerne de nossos problemas. O governo distribuiu crédito público sem se dar conta da falta de lastro na poupança, mexeu na taxa de juros sem calcular seu impacto na inflação, congelou a gasolina, usou o BNDES para selecionar os “campeões nacionais” (entre eles a EBX, de Eike Batista) etc. O governo seria o mestre do universo!

Só que não, isso não funciona. Mesmo assumindo uma premissa um tanto agressiva, de que Dilma é de fato uma excepcional gestora e que Guido Mantega é o mais inteligente dos economistas, o modelo não entregaria o resultado desejado. Agora vamos relaxar essa hipótese e aceitar premissas mais, digamos, realistas, de que Dilma não foi capaz nem de sustentar uma pequena loja na iniciativa privada e que Mantega é somente um economista medíocre, e teremos a gravidade do quadro.

Foi poder demais concentrado em gente de menos. Não tem como dar certo. E, agora, os mesmos que plantaram as sementes podres olham aturdidos para a colheita maldita. Coçam suas cabeças, buscam bodes expiatórios em todo lugar, e nada. Partem, então, para malabarismos medonhos, no afã de enganar o público, ou para medidas desesperadas e erráticas, gerando enorme insegurança no mercado.

Sem credibilidade alguma, o governo ainda sonha em atrair as dezenas de bilhões que o país precisa para investimento em infraestrutura, um dos nossos maiores gargalos de produtividade. Mas como, meu Deus!, esses investidores vão alocar seus recursos se o governo mexe nas regras do jogo o tempo todo, quer determinar a taxa de retorno abaixo do mercado, altera as tarifas e tudo mais?

A farra toda durou porque leva tempo até o problema emergir. O modelo, que começou ainda na gestão de Lula, foi baseado nos três Cs: Consumo, Crédito e Commodities. Estas pararam de subir, pois a China não tem mais a mesma pujança. E aqueles bateram no limite de crescimento artificial, pois as famílias já se encontram bastante endividadas.

O que fazer? Como reagir? Revertendo essa absurda concentração de poder no Estado. Parando de manipular preços. Cortando gastos públicos. Fazendo as reformas trabalhista, previdenciária e tributária. Adotando, enfim, uma agenda liberal. E esse governo vai seguir nessa direção? Nem nos meus sonhos! Logo, só nos resta torcer que o cego no meio do tiroteio não leve uma bala perdida. Somos dependentes, hoje, da sorte.

Rodrigo Constantino é economista e presidente do Instituto Liberal

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Da arte de iludir




DEMÉTRIO MAGNOLI * para o Estadão
Todos eles leram O Leopardo, de Lampedusa. “Se queremos que as coisas permaneçam como sempre foram, elas terão de mudar” - o célebre conselho de Tancredi Falconeri a Don Fabrizio provavelmente não foi enunciado explicitamente na reunião de Dilma Rousseff com os líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), mas uns e outros sabiam que era disso que se tratava. A presidente declarou-se simpática à proposta de reforma política, mas não chegou a anunciar apoio público, algo que “não interessa” ao movimento, segundo o juiz Márlon Reis. O patrocínio oficial ficou, assim, fora dos autos.
Nas ruas, em junho, gritaram-se as palavras “educação” e “saúde”, não “reforma política”. Contudo o governo concluiu, razoavelmente, que o sistema político em vigor se tornou insuportável - e resolveu agir antes que uma nova onda de manifestações se organize sob a bandeira “Fora Dilma”. Os ensaios sucessivos da Constituinte exclusiva, uma flagrante inconstitucionalidade, e do plebiscito, uma tentativa quixotesca de cassar as prerrogativas do Congresso (o que se traduz hoje, na prática, como prerrogativas do PMDB), evidenciaram o desespero que invadiu o Planalto. É sobre esse pano de fundo que surgiu, como derradeira boia de salvação, a iniciativa do MCCE. Tancredi está entre nós.
Antes das manifestações de junho, só o PT tinha uma proposta completa de reforma política. Nos sonhos petistas, o anárquico e corrompido sistema atual evoluiria em direção a algo mais consistente - e ainda mais impermeável à vontade dos cidadãos. O financiamento público de campanha concluiria o processo de estatização dos partidos políticos, que se tornariam virtualmente imunes ao escrutínio popular. O voto em lista fechada concentraria o poder nas mãos das cúpulas partidárias, rompendo os tênues vínculos ainda existentes entre os eleitores e seus representantes. No fim, surgiria uma partidocracia cortada segundo os interesses exclusivos do partido dotado da máquina eleitoral mais eficiente.
O projeto petista, que já esbarrava na resistência do restante da elite política, tornou-se inviável depois do transbordamento das insatisfações populares. No lugar dele, o Planalto inclina-se em direção ao artefato lampedusiano produzido no forno do MCCE. O primeiro componente da proposta, sobre o financiamento de campanha, é um tímido aceno às ruas. O segundo, sobre o sistema eleitoral, é uma versão levemente modificada do projeto petista do voto em listas fechadas. Os autores da proposta têm bons motivos para temer que lhes colem o rótulo de companheiros de viagem do governo.
Dentro da ideia do financiamento público de campanha pulsa um coração totalitário. Sob a sua lógica, os partidos se libertariam por completo da necessidade de persuadir as pessoas a financiá-los. Pela mesma lógica, eu seria compelido a pagar as campanhas de figuras arcaicas restauradas pelo lulopetismo (Sarney, Calheiros, Collor, Maluf), de pastores fanáticos que sonham incendiar bruxas (Feliciano), de oportunistas sem freios atraídos pelas luzes do poder (Kassab, Afif), de saudosistas confessos do regime militar (Bolsonaro) e de stalinistas conservados em formol que adoram ditaduras de esquerda (quase todos os candidatos do PT, do PCdoB e do PSOL). O MCCE rejeitou essa ideia macabra, associando sensatamente o financiamento de campanha à capacidade dos partidos de exercer influência sobre cidadãos livres. Entretanto, curvando-se aos interesses gerais da elite política, a proposta não toca nas vacas sagradas do sistema em vigor: o Fundo Partidário e o tempo de televisão cinicamente qualificado como gratuito.
O sistema eleitoral atual é uma triste caricatura de democracia representativa. Soterrados sob listas intermináveis de candidatos apresentados por dezenas de siglas partidárias e ludibriados pelo truque imoral das coligações proporcionais, os eleitores operam como engrenagens da máquina de reprodução de uma elite política bárbara, hostil ao interesse público. A alternativa petista do voto em listas fechadas corrompe a representação de modo diverso, mas não menos doentio, conferindo aos chefes dos partidos o poder extraordinário de esculpir a composição do Parlamento.
A proposta do MCCE envolve a alternativa petista num celofane ilusório, sem modificar o seu cerne. Os partidos seriam obrigados a realizar prévias internas fiscalizadas pela Justiça Eleitoral para selecionar seus candidatos, o que configura uma interferência antidemocrática na vida partidária. Numa primeira etapa, os eleitores votariam apenas nos partidos. Depois, na etapa derradeira, votariam em nomes constantes de listas com duas vezes mais candidatos que as vagas obtidas na etapa anterior. A valsa complexa conserva o poder de decisão essencialmente com os dirigentes dos partidos, mas distribui alguns doces aos eleitores. O Planalto e o PT entenderam o sentido da obra - que, por isso mesmo, deve ser descrita como “apartidária”.
Uma ruptura democrática seria a adoção do sistema de voto distrital misto. Nos Estados Unidos e na França, a disputa entre apenas um candidato de cada partido em circunscrições eleitorais delimitadas transfere o poder de decisão para os eleitores e provoca nítidas polarizações ideológicas. Sob a sua lógica, os partidos são estimulados a lançar candidatos capazes de sobreviver ao escrutínio direto do público. E, ao contrário do que argumentam os arautos do voto proporcional exclusivo, os candidatos não se podem apresentar como “deputados-vereadores”, pois a dinâmica da disputa majoritária os compele a associar seus nomes às posições doutrinárias de seus partidos.
O MCCE, porém, parece avesso à ideia de uma mudança genuína. “Precisamos do apoio de todas as forças políticas na hora da aprovação no Congresso”, explicou Márlon Reis, o Tancredi disponível na esteira da tempestade de junho.
* DEMÉTRIO MAGNOLI É SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP. E-MAIL: DEMETRIO.MAGNOLI@UOL.COM.BR.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Reinaldo Azevedo sobre ética no Clube Militar

Reinaldo Azevedo fala sobre ética e corrupção em evento do Clube Militar que contou, ainda, com a presença de Rodrigo Constantino. 

Quem disse que os dinossauros foram extintos?

Rodrigo Constantino / Veja
Quase simultaneamente ocorreram o lançamento deste blog e o 19o Foro de São Paulo, provando que o futuro e o passado podem coabitar no tempo. O futuro é o liberalismo; o passado é o socialismo. O evento, que reúne os mais radicais esquerdistas do planeta, serve para nos lembrar como a evolução é uma ideia em xeque, ao menos no campo das ideologias.
Os “debates” são tão caricatos que nem mereceriam resposta, não fosse o fato de que presidentes poderosos da América Latina não só respeitam esse atraso todo, como flertam com ele e marcam presença no circo. O ex-presidente Lula e o presidente boliviano Evo Morales são esperados pelos organizadores. Um espanto isso ainda vingar por aqui.
Vejam o que o portal Vermelho.org publicou, por exemplo. Eu costumo dizer que a profissão de comediante nesse país não é tão fácil assim: se por um lado eles têm farta matéria-prima, por outro lado encontram enorme concorrência involuntária de certas pessoas. Mesmo me esforçando, eu não conseguiria produzir um texto tão cômico como esse. Vejam alguns trechos:
Importantes líderes progressistas estarão presentes, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente boliviano Evo Morales e dirigentes de partidos comunistas no poder, como os partidos comunistas de Cuba, da China, da Coreia Popular e do Vietnã. Durante esses dias, estarão reunidos representantes de cerca de uma centena de partidos de esquerda da região e muitos outros da Europa, África, Ásia e Oriente Médio.
Progressistas? Qual progresso os “progressistas” defendem, exatamente? Aquele de Cuba, estacionada no tempo há meio século? Ou seria aquele da Coreia “popular”, que vive sob o sistema feudalista com todo poder concentrado em uma família, que o transfere de pai para filho enquanto o povo todo definha de fome? É esse tipo de “progresso” que o Foro quer para o Brasil?
Fundado em 1990, no auge da contrarrevolução que resultou na derrocada dos países socialistas e quando estava a pleno vapor a ofensiva do imperialismo estadunidense e da reação mundial contra as conquistas democráticas e sociais dos povos, o Foro de São Paulo é a maior e mais duradoura articulação de forças de esquerda em todo o mundo. Voltado para assegurar a unidade na diversidade de todas as correntes da esquerda, firmou-se como uma força de caráter anti-imperialista, em luta pela democracia, os direitos dos povos, a soberania nacional, a integração regional, a paz mundial e pelo socialismo nas condições peculiares da época e resguardadas as situações nacionais específicas. 
O leitor pode fazer o seguinte: trocar o sinal de tudo que está acima. É o inverso do que está dito. Os imperialistas eram os comunistas, organizados na Comintern sob o comando soviético, tentando exportar sua revolução para o resto do mundo todo. O “ouro de Moscou” ajudou a financiar grupos guerrilheiros mundo afora, inclusive no Brasil. Os soviéticos deram treinamento militar e estratégico para vários interessados em impor uma ditadura nos moldes bolcheviques. A luta pela democracia sempre foi daqueles que enfrentaram esses comunistas e socialistas, nunca o contrário.
O Foro de São Paulo tem coordenado o respaldo político regional e internacional aos processos em curso de conquista de vitórias eleitorais das forças progressistas e à atuação dos respectivos governos de coalizão. Tem também condenado os golpes contra presidentes eleitos democraticamente, como em Honduras e no Paraguai.
Esse trecho final que destaco é apenas para lembrar que não devemos simplesmente ignorar essa “palhaçada” toda, pois ela tem efeitos concretos. Quem pode negar que, de fato, são os líderes aclamados pelo Foro de São Paulo que chegaram ao poder na América Latina e seguem com sua “revolução bolivariana” em curso? Tudo isso seria muito cômico, não fosse tão trágico. Não podemos nos dar ao luxo de ignorar essa ópera bufa ou rir dela, pois somos nós, no final do dia, que nos tornamos os verdadeiros palhaços do circo, enquanto eles avançam mais e mais sobre nossas liberdades e nossos bolsos.
Quem disse que os dinossauros foram extintos? Eles estão vivos, usam a cor vermelha, e se juntam de tempos em tempos para traçar novas estratégias para ampliar seu domínio sobre nós.

As estatais são o lixo do Brasil


Infraero, CEDAE, voce está satisfeito? A privatização da CEDAE bateu na trave em 97/98. Pense no que poderia ter sido, no tempo que se perdeu. Quantas boquinhas ainda existem penduradas nessas e em outras estatais? Quanto jogoamos nesse lixo a cada ano por conta da preguiça em enfrentar o assunto da privatização?

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Bomba: Joaquim Barbosa pode renunciar

Por Carlos Chagas

Serão desastrosas as consequências, se os mensaleiros conseguirem convencer a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal a iniciar o segundo tempo do julgamento do maior escândalo político nacional, dando o dito pelo não dito e o julgado por não julgado, na apreciação dos embargos apresentados até quinta-feira.

Primeiro porque será a desmoralização do Poder Judiciário, tendo em vista que os réus já foram condenados em última instância, em seguida a exaustivas investigações e amplas condições de defesa. 

Depois, porque como reação a tamanha violência jurídica, Joaquim Barbosa poderá renunciar não apenas à presidência do Supremo, mas ao próprio exercício da função de ministro. Esse rumor tomou conta de Brasília, ontem, na esteira de uma viagem que o magistrado faz a Costa Rica, de onde retornará amanhã. Se verdadeiro ou especulativo, saberemos na próxima semana, mas a verdade é que Joaquim Barbosa não parece capaz de aceitar humilhações sem reagir. Depois de anos de trabalho como relator do processo, enfrentando até colegas de tribunal, conseguiu fazer prevalecer a Justiça, nesse emblemático caso em condições de desmentir o mote de que no Brasil só os ladrões de galinha vão para a cadeia. Assistir de braços cruzados a negação de todo o esforço que ia redimindo as instituições democráticas, de jeito nenhum. Em termos jurídicos, seria a falência da Justiça, como, aliás, todo mundo pensava antes da instauração do processo do mensalão.

Em termos políticos, pior ainda: será a demonstração de que o PT pode tudo, a um passo de tornar-se partido único num regime onde prevalecem interesses de grupos encastelados no poder. Afinal, a condenação de companheiros de alto quilate, por corrupção, ia revelando as entranhas da legenda que um dia dispÃ?s-se a recuperar o país, mas cedeu às imposições do fisiologismo.

Teria a mais alta corte nacional mecanismos para impedir esse vexame? Rejeitar liminarmente os embargos não dá, mas apreciá-los em conjunto pela simples reafirmação de sentenças exaustivamente exaradas, quem sabe? Declaratórios ou infringentes, os recursos compõem a conspiração dos derrotados.

Vamos lutar com a única arma que nos resta, divulgando. Isso sim, merece uma corrente.



Circula nas mídias socias


"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada". – Ayn Rand

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Essa pirâmide quebra uma país e escraviza seu povo

(imagem que circula nas mídias sociais)

Na realidade, isso é só a pontinha de uma gigantesca pirâmide. Um executivo que ostenta 39 ministérios, uma justiça que mantém verdadeiros marajás, mesmo sendo lenta e até injusta, um legislativo inchado, ineficiente e caro... É hora de evoluir Brasil. 

Que a visita do Papa Francisco represente uma mudança brusca de paradigma, de austeridade, de corte de mordomias e privilégios.  

Enquanto houver tanta discrepância nesse país, entre o setor produtivo e o setor público, jamais seremos uma nação desenvolvida de fato. Jamais teremos a tão desejada "justiça social", termo idolatrado pela retrógrada esquerda latina, a maior responsável pela "injustiça social" promovida por essa pirâmide.      

quarta-feira, 24 de julho de 2013

De bermudão, Cabral curte a vida usando helicóptero do Estado


Publicado no Blog do Noblat

Como podem ver este é um dos sete helicópteros que serve a Sérgio Cabral. Nele você pode ver impresso a logomarca do Governo do Estado.

O governador está de bermudão, camisa esporte, descendo no condomínio Portobello, onde tem sua suntuosa mansão, em Mangaratiba.

Em alguns finais de semana, a cena se repete mais de uma dezena de vezes ao dia, ora para pegar a Primeira-Dama, ora para buscar o seu cabeleireiro ou manicure, ora para trazer amigos, às vezes até para comprar algo de especial que não se encontre no paraíso do governador.

É de fato um tapa na cara dos contribuintes do estado, que pagam impostos para sustentar as mordomias da família Cabral.

E depois Cabral ainda quer saber porque tem gente pedindo seu impeachment.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Vocês não são donos do Brasil


Em seu primeiro artigo para o Mídia Sem Máscara, o cantor Lobão fala do conluio vergonhoso entre artistas militantes, o governo do PT e a Rede Globo, algo que está prejudicando centenas de outros músicos e compositores, obstruindo o debate sobre projetos de lei e sobre a ética no mercado cultural, além de permitir intervenções ainda maiores do estado nessa área.
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Vocês não são donos do Brasil
Mais uma vez, a mesma história: deixando a grande maioria da classe artísitica fora do debate, de sua idealização e formulação, foi aprovado no Senado, à toque de caixa, em tempo recorde, o projeto de lei que altera de maneira profunda o modo de como são arrecadados os direitos autorais no Brasil.
Como ninguém me deu um telefonema, um e-mail, um sinal sequer sobre qualquer reforma, muito me assusta saber por outras fontes que o sistema de arrecadação passará a ter um órgão governamental para fiscalizar o ECAD.
Esse simples item já nos coloca numa situação um tanto pertubadora, pois o o governo nos deve mais de 1 bilhão de reais através da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) que incorpora suas rádios e TV's. Fora o fato de ainda não sabermos quantos cargos comissionados serão criados para o novo órgão (já mencionaram 200), quem irá ocupá-los e escolhê-los e quanto o governo vai mamar por essa interferência... Sem contar com a sua intrínseca inconstitucionalidade. Isso sem falar de que estamos lidando com um dos governos mais corruptos da nossa história, com uma máquina inchada, 39 ministérios inoperantes e um forte viés ideológico a guiar todas as suas deliberações.
Como achar uma boa ideia aliarmos a esse governo? Como pensar em entregar o controle do nosso patrimônio para ser fiscalizado por esse governo ou por qualquer outro? Como não ter vergonha e constrangimento em ver colegas de profissão, artistas consagrados, a beijar a mão de Renan Calheiros e posar com Dilma Rousseff, fingindo representar-nos, para atropelar todo o processo de discussão e debate de um projeto de lei que vai proporcionar mudanças imprevisíveis e de prognósticos sombrios para todos nós?
É muito difícil achar um fio da meada de transparência numa ação tão obscura e com tantas arestas suspeitas deixadas em toda essa tramóia.
Afinal de contas, quem é que sai ganhando com isso? Os principais beneficiados são os usuários (rádios, tv's, empresas de telefonia, etc.).
Eu gostaria de saber quais são os verdadeiros interesses desses artistas que estão ligados por negócios ou contratos justamente com as organizações que vão sair ganhando com esse projeto de lei.
Comecemos pelos caciques: Gilbero Gil foi ministro da Cultura, e tinha como secretário Juca Ferreira, seu substituto na pasta e atual secretário de Cultura da cidade de São Paulo. Temos um outro importante ator que é o movimento Fora do Eixo, representado por Pablo Capilé, homem de confiança de Zé Dirceu, e que foi um dos reponsáveis pela falência da ABRAFIN, uma associação de festivais independentes bancada pela Petrobrás. Ele é um dos mais cotados para dirigir o tal órgão de fiscalização criado pelo governo. O Fora do Eixo arrecadou milhões de reais pela lei Rouanet no ano passado e por coincidência, foi justamente Capilé um assíduo interlocutor e articulador desse projeto de lei com a presidente da república.
Temos também o advogado Ronaldo Lemos, da FGV e representante do Creative Commons International como autor do texto do PLS 129/12. Ele é sócio no site Overmundo com o antropólogo Hermano Vianna, colunista do Globo e um dos criadores do progarama Esquenta, apresentado por Regina Casé, que atua em campanhas publiciárias do governo. Hermano trabalhou no ministério de Cultura nos tempos de Gil & Juca.
O Creative Commons é uma organização que luta pela extinção dos direitos autorais, um prato cheio para todos os usuários - rádios, redes de tv, companhias telefônis, sites na internet e outros.
O Fora do Eixo promove uma série de eventos culturais no país e é a plataforma de lançamento de nomes da música independente e do novo rap nacional, como Criolo e Emicida, que por outra sutil coincidência, tem como produtora Paula Lavigne, que tem negócios com a Globo Filmes, é empresária de Caetano Veloso, que é colunista no jornal O Globo e que tem suas canções executadas massivamente nas telenovelas da TV Globo. Emissora que detém um contrato de exclusividade com o rei Roberto Carlos.
A secretaria de Cultura de São Paulo, no início da gestão Juca Ferreira, acabou contratando os serviços de toda turma do movimento que encabeçou o evento "Existe Amor em SP"', chancelado pelo Fora do Eixo, que é formado por jornalistas, agitadores culturais e produtores musicais, todos cabos eleitorais de Haddad e integrantes da tropa de choque do PT na blogosfera. Todos esses arautos da propaganda governista e defensores ferrenhos dessa onda regurgitante de retropicalização da MPB apóiam apaixonadamente o tal PLS129/12.
Então, é para procurar saber? Pois bem: vamos abrir os demonstrativos de direitos autorais dos "trilheiros"que têm novelas no ar no momento? Vamos fazer um levantamento cirúrgico das novelas da Globo nos últimos anos com a participação de compositores desse grupo, ou seja, cruzar informações e focar nas parcerias dos trilheiros e outros compositores do grupo? Pois a nova lei propicia a criação de um novo cartel, um monopólio para eles, já que a máfia existe e todo mundo sabe.
Quais seriam os grande beneficiados desse projeto, já que não é qualquer mané que coloca música em novela e têm acesso aos controladores do esquema, naturalmente, todos muito ricos? Procuremos saber!
É a caixa preta das novelas que precisamos abrir! Planilhas falsificadas do tipo,"mais música do que tempo de novela".
É bem visível a presença massiva das músicas de Gil & Caetano em temas de abertura ou temas de personagens ao longo de todos esses anos de telenovela, não é verdade?Procuremos saber!
Vamos procurar saber o lucro líquido do Expresso 2222 na Bahia no ano passado? E o trabalho de Flora Gil (mulher de Gil), que é produtora e continuou em atividade mesmo enquanto ele era ministro? Procuremos saber!
E mais uma informação, só pra constar: Tim Rescala é contratado da Globo e faz as trilhas do Zorra Total... muito interessante!
Agora, quando falamos de execuções fraudulentas todo mundo despista e sai de fininho...Tentamos implementar uma lei de criminalização do "jabá", propina paga às rádios e tv's para executar músicas, lá pelos idos de 2003, mas o então ministro Gil desconversou e o projeto foi engavetado.
Um país com 99% de execuções fraudulentas, haverá necessariamente de obter um alarmante índice de arrecadações fraudulentas, não é mesmo?
Como podem perceber, fica muito difícil encontrar qualquer lógica nisso tudo. E que a coisa não cheira nada bem, não tenho a menor dúvida.
No máximo, em 15 dias a presidente assina o monstrengo e, num fim de semana, o fato será esquecido, como tantas outras mamatas.
Deixo claro à toda a opinião pública que, de agora em diante, esse grupo de artistas será responsável pela receita, pelos lares e pelas famílias de milhares de compositores e músicos que dependem diretamente desse sistema. A grande maioria anônima. E a esses colegas deixo um alerta: vocês, ao contrário do que imaginam e agem como se assim fossem, NÃO SÃO DONOS DO BRASIL.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Por que os militantes se voltaram contra os manifestantes


Por Diogo Costa para Ordem Livre

Independência partidária é analfabetismo político! Vandalismo é coisa de classe média conservadora! Se pintar de verde e amarelo é se decorar com as cores do fascismo!
Essas foram algumas das conclusões que os militantes mais engajados tiraram das manifestações brasileiras. Se estivessem certas, o Movimento Occupy seria um projeto analfabetização mundial, Oakeshott seria assinatura de pichador e o topete do Itamar deveria inspirar tanto pavor quanto a calvície do Mussolini.
A militância que ontem deflagrou a onda de protestos brasileiros hoje passou para a concorrência. Ela agora toma as ruas num esforço para substituir a espontaneidade massiva das manifestações pela organização tradicional de movimentos retrasados. Para evitar um progresso do debate público para temas e valores do século XXI, ela tenta manobrar a agenda política de volta para o século XX. Como se deu essa mudança? Essa pergunta se responde colocando o dedo no ponto onde psicologia, ideologia, retórica e estratégia se cruzam dentro da cabeça do perfeito militante latino-americano.
No The New York Times de 29 de abril, o colunista David Brooks traçou uma distinção entre escritores engajados e escritores desapegados.
O escritor engajado é aquele que “se alinha intimamente com um time”. Seu trabalho é “fornecer argumentos” a favor de seu partido, e apontar “os erros e transgressões” cometidos pelo outro lado. O engajado “está disposto a ser repetitivo” porque sua tarefa não é tanto persuadir o outro lado quanto mobilizar e “energizar as pessoas que já concordam” com ele.
Já o escritor desapegado “teme que a mentalidade de time ofusque sua visão.” Ele vê a política partidária “como uma competição entre verdades parciais”. Apesar de não ignorar a política, o escritor desapegado “prefere ter um impacto gradual” moldando as “percepções da realidade subjacente na esperança de proporcionar um contexto sobre o qual outras pessoas possam pensar”.
Brooks defende o desapego por “uma questão de higiene mental”. Se um escritor desapegado corre o risco de se tornar “irrelevante” dentro do seu próprio “senso de superioridade”, o escritor engajado corre riscos maiores. O engajamento nos afasta da ciência, da busca desinteressada pela verdade.
Goethe dizia que “a consciência é a virtude dos observadores e não dos agentes de ação”. Brooks concordaria com Goethe, e por isso nos convida a permanecer observadores. Mas ele se esquece de que a preocupação com “consciência” e “higiene mental” já pressupõe um compromisso com primeiros princípios que falta ao protótipo do engajamento, isto é, a militância.
Só adianta usar a saúde no argumento a favor da penicilina quando o outro lado faz alguma distinção categórica entre a vida humana e a vida bacterial. O militante não renuncia sua campanha ao apelo de Goethe porque, na verdade, o militante já concorda com Goethe. Ele está disposto a sacrificar sua consciência porque entende que “a ação é para a salvação em massa e não para a salvação pessoal do indivíduo.”
Saul Alinsky escreveu essa última frase em seu livro Rules for Radicals, de 1971 (versão PDF). Para a militância revolucionária, Rules for Radicals tem o papel que O Príncipe tinha para as autocracias renascentistas.
O que faz de Alinsky o Maquiavel da militância contemporânea. Com a diferença de que Maquiavel bajulava uma elite que o ignorava enquanto Alinsky, trabalhando como organizador comunitário de base, desprezava a elite de seu país até que ela passasse a reconhecê-lo. Barack Obama se inspirou em Alinsky quando se tornou um organizador comunitário. Hillary Clinton escreveu uma tese acadêmica intitulada“There Is Only the Fight . . . ”: An Analysis of the Alinsky Model.
Se Maquiavel é chamado de realista pela sua descrição avalorativa de como funciona o poder, Alisnky teria que ser chamado de surrealista político. O famoso slogan “os fins justificam os meios” atribuído a Maquiavel perde o significado na obra de Alinsky. Para ele, não há sequer “fins” objetivos que sirvam de critério legitimador dos instrumentos à disposição do agente. Fins podem justificar meios tanto quanto meios podem justificar fins, afinal o próprio conceito de justificativa já é instrumental para Alinsky. O militante deve compreender a moralidade como uma “racionalização retórica”, um “passaporte” para a ação: “faça o que puder com o que você tem e depois vista sua ação com roupas morais”.
“Dizer que meios corruptos corrompem os fins”, de acordo com Alinsky, “é acreditar na imaculada concepção de fins e princípios.” “Aquele que teme a corrupção teme a vida”, dizia. Fins e meios devem ser escolhidos e julgados e acordo com a atualidade da ação.
Pense na questão do vandalismo. Será que violência e depredação seriam meios legítimos para a ação política? Esse é o tipo de problema moral que perturba o observador, mas que se derrete no toque da militância. O discurso do militante se modela de acordo com a contribuição que um ato de vandalismo específico oferece para a realização de uma ação específica. Quando o vandalismo constitui a ação pretendida, a militância legitima a violência como uma resposta ao verdadeiro vandalismo dos hospitais sem remédios e das escolas sem professores. Quando o vandalismo prejudica a ação, ele passa a ser denunciado como uma óbvia demonstração de fascismo, mesmo que o militante do discurso presente e o vândalo da depredação passada sejam a mesma pessoa.
Por isso o discurso “sempre que houve uma revolução, foi com vandalismo”  virou o discurso que atribuía violência a grupos de extrema-direita. Por isso o movimento que se define em seu logotipo por um ato de vandalismo passa a assumir um discurso pacifista.
Se o militante vai ser pacifista como Gandhi ou violento como Che Guevara depende apenas das circunstâncias presentes, principalmente dos meios que ele tem a sua disposição. Alinsky aprovava a maleabilidade moral de Lenin quando dizia aos revolucionários bolcheviques: “eles têm as armas e portanto nós somos a favor da paz e da reforma através da urna. Quando nós tivermos as armas, vai ser através da bala.”
Não se pinta uma revolução molhando o pincel numa consciência limpa. O seguidor de Alinsky se entende como “um relativista político”, um estrategista sem “uma verdade fixa - a verdade para ele é relativa e mutável; tudo para ele é relativo e mutável.”
“Fascismo” e “nazismo” são termos relativos e mutáveis. Quando o militante partidário atribui uma ideologia de extrema direita a seu oponente, ele não está descrevendo as raízes históricas que, por inspiração ou por analogia, explicam determinado comportamento. O xingamento apenas emprega a simbologia necessária para neutralizar um oponente político.
Em seus momentos mais ousados, a militância usa uma terminologia para significar seu exato inverso. É o que acontece quando manifestantes independentes e apartidários passaram ser tratados como discípulos do totalitarismo. Se o apartidarismo neutralizasse o PSDB ou o PT, eles seriam a favor. Como neutralizam o PSTU e o PSOL, são contra.
Há um ano e meio atrás, os mesmos militantes que denunciam o apartidarismo das manifestações brasileiras estavam acampando em praças públicas inspirados pelo apartidarismo do Occupy Wall Street. Como lembra essa matéria:
O protesto do Occupy Wall Street pode ser um movimento, um fenômeno momentâneo ou algo no meio termo, mas uma coisa que seus ativistas mais ferventes insistem é que ele não é uma tropa de choque para nenhuma campanha política partidária.
Um porta-voz do Occupy Wall Street chegou a dizer que se alguém tentasse dar uma direção partidária ao movimento, “haveria tantas pessoas que se recusam a aprovação de qualquer partido ou candidato que eu não acho que isso chegaria a acontecer”.
A rejeição do partidarismo que antes era fonte de inspiração agora é denunciada como autoritária, de direita, etc.  Parece contradição, mas é só militância. Alinsky explica citando o matemático Alfred North Whitehead: “na lógica formal, uma contradição é um sinal de derrota, mas na evolução do real conhecimento ela marca o primeiro passo do progresso em direção à vitória.”
Por isso militantes marxistas achavam lindo quando as pessoas se pintavam de verde e amarelo e saíam as ruas contra o Collor. Mas agora dizem que sair de verde e amarelo é coisa de fascista. Por isso diziam que eram pelo passe livre, mas quando as manifestações fugiram do seu controle, cancelaram as passeatas e disseram que 20 centavos estava de bom tamanho.
Não é que a militância se transforma. Ela própria é um órgão de transformação. A compreensão da dialética da política militante, dizia Alinsky, é vital:
Ela liberta-nos do mito de que uma abordagem é positiva e outra é negativa. Tal coisa não existe na vida. O que é positivo para um homem é negativo para outro. A descrição de qualquer procedimento como “positivo” ou “negativo” é a marca de um analfabeto político. Uma vez que a natureza da revolução é entendida a partir da perspectiva dualista, perdemos nossa mono-visão de uma revolução e passamos a enxergá-la juntamente com sua contra-revolução inevitável.
A militância é ao mesmo tempo reformista e contra-reformista. Assim como ela foi pró-manifestação e contra manifestação. Na verdade, ela se aquece do choque entre movimentos contrários. Alinsky dizia que a criança aprende a dualidade da política desce cedo, quando joga o pai contra a mãe para conseguir ficar acordada até mais tarde.
Não estou dizendo que os membros do Movimento Passe Livre, do PSTU e do PSOL leram Alinsky, ou estão conscientemente praticando seus ensinamentos. Da mesma forma que O Príncipe pode explicar a ação de um monarca que nunca leu Maquiavel, acredito que Alinsky oferece uma explicação para as atitudes dos militantes que desafiam observadores mais lógicos e racionais.
Também não tenho esperança de debater com militantes, apenas de esclarecer suas ações. Desde que descobri Rules for Radicals por acidente em 2002 (numa caixa de livros que não coube na mudança do meu cunhado), percebi que militantes não se abrem a discussões ponderadas. Na época, eu editava com meu amigo Gabriel Araújo o Nova Ordem Jovem(NOJO), um jornalzinho distribuído de graça na nossa universidade. Apesar de gratuito, o jornalzinho conseguiu comprar o ódio da União da Juventude Socialista, a tal UJS do PCdoB. Achei que, provocados, eles iriam partir para o debate. Em vez de argumentos, usaram sua influência para cancelar nossa participação no diretório estudantil e impedir que organizássemos debates que contariam com aliados da própria UJS.
Alinsky explica essa hostilidade. O militante não deve se “comunicar com ninguém puramente sobre a ética ou os fatos racionais de um assunto”. O debate constrói um chão comum de humanidade entre os debatedores. Sugere que a discordância entre o militante e seu oponente é factual ou lógica, que talvez alguém tenha cometido um lapso em seu raciocínio. A militância prefere projetar uma separação ontológica para com seus oponentes: “Os homens irão agir quando estiverem convencidos de que a causa deles está 100% do lado dos anjos e a oposição está 100% do lado do diabo”.
E o que isso tem a ver com pobreza?
Para o militante, o pobre só é um anjo enquanto permanece pobre. Se enriquece, vira um demônio. O sujeito que nasce pobre, mas que trabalha de noite para conseguir estudar no Senai de manhã com o sonho de um dia abrir o próprio negócio, estaria descendo a escada do inferno.
Quando os-que-não-têm atingem sucesso e se tornam os-que-têm, eles se colocam numa posição de tentar manter o que têm e sua moralidade muda com sua posição no padrão de poder.
Ao falar de Upton Sinclair’s Jungle, uma favela de Chicago que já foi considerada a pior de todos os Estados Unidos, Alinsky transforma o sucesso da comunidade em tragédia. “Com seu poder, eles lutaram e venceram”, diz Alinsky. Lamentável essa vitória, porque “como parte da classe média, eles também são parte da nossa cultura racista e discriminatória”.
Militantes falam em nome da pobreza enquanto abominam soluções que melhorem a qualidade de vida dos mais pobres. Querem o passe livre mesmo que isso implique que o pobre que só anda a pé pague pelo ônibus do adolescente de classe alta. Onde estava a comoção quando tiraram vans de circulação em várias cidades brasileiras? Onde estavam os cartazes contra o sistema de cartéis do transporte urbano?
Capitalismo para os Pobres combate a pobreza com as armas da riqueza. Quando capacitamos os pobres com produtividade, quando derrubamos barreiras institucionais e intelectuais ao empreendedorismo, quando fazemos do comércio um instrumento de inclusão econômica, as famílias brasileiras elevam seu padrão de consumo e passam a viver uma vida mais plena e autônoma. O vídeo do Pedro que, fabricando sabão, “de peão, hoje [virou] rei” é uma história de sucesso de capitalismo para os pobres. Os filhos do Pedro não precisarão depender de bolsas disso, vales daquilo, talvez sequer do Sebrae. Da perspectiva militante, histórias de prosperidade e independência anunciam uma tragédia. Pedro passou para o lado negro da força. Militantes revolucionários se fazem de amigos dos pobres, mas são apenas amigos da pobreza.
“Enquanto [os socialistas] têm um tipo de amor sentimental pela humanidade em seus corações, o ódio flui de seus lábios.” A frase é de Frédéric Bastiat, economista francês do século XIX. Bastiat entendia que as reformas sociais deveriam favorecer a “associação progressiva e voluntária” entre os membros de uma sociedade. Uma “associação mais próxima entre trabalho, capital e talento”, dizia, “deveria resultar em mais riqueza para a família humana e sua melhor distribuição”. O livro de Bastiat se chama Harmonias Econômicas.
Bastiat sentava-se à esquerda do parlamento francês, mas rejeitava a militância socialista que ele via nascer na Paris do século XIX. As campanhas pela cooperação entre indivíduos e povos que Bastiat e outros liberais radicais franceses avançavam desde o século XVIII passaram a enfrentar, além de conservadores saudosistas do Velho Regime, um novo movimento autoritário que desencadeava “antagonismos fundamentais em todos os lugares”. Antagonismos, por exemplo, “entre capital e trabalho”, “entre agricultura e indústria”, “entre o produtor e o consumidor”, “entre o nativo e o estrangeiro”, “entre o trabalhador do campo e o morador da cidade”. Bastiat percebia que a natureza antagônica dos socialistas ia contra a ciência econômica, provocando crises contínuas na sociedade, e delas se alimentando. Era como se a oferta do socialismo criasse a sua própria demanda.
No alpinismo eterno do militante, o fim da pobreza seria um “blefe” e o “combate à pobreza” um fim em si mesmo. Existe apenas a luta… A perpetuação da pobreza não é um acidente da ação militante, mas sua práxis. “Nós vemos o topo da montanha ‘real’ na nossa frente, e lutamos por ele,” escreveu Alinsky, “apenas para descobrir que alcançamos mais um blefe, que o topo continua acima de nós. E assim se segue, interminavelmente”.
De certa maneira, Alinsky e Bastiat estão em precisa oposição. Bastiat queria a liberdade pela harmonia da ordem social. Alinsky encontra a liberdade nos conflitos da dialética revolucionária. O equilíbrio newtoniano contemplado por Bastiat é superado pelo darwinismo pragmático e inesgotável de Alinsky. A mudança pretendida pelo militante apenas ocorre quando há “aquela fricção abrasiva do conflito.”
É da fricção entre antagonismos que se acende a ação militante. Quando o fogo das manifestações saiu do controle da militância e começou a queimar as bandeiras dos próprios incendiários, restou aos militantes passar da reforma para a contra-reforma, como previa Alinsky. A luta sempre continua, só que agora contra o gigante-classe-média-fascista. A militância agora quer voltar a ter exclusividade nas ruas. Quer que o gigante volte a dormir. “A lei da mudança”, escreveu Alinsky, “deve preparar o anestesiamento da vítima antes de começar a cirurgia social”.
* Publicado originalmente no blog Capitalismo Para Os Pobres.